Uma pesquisa recente trouxe um número que resume bem o clima atual do mercado de trabalho brasileiro: 60% dos brasileiros têm medo de perder o emprego para a inteligência artificial. O dado é do relatório Workmonitor 2026 e mostra que a preocupação é mais forte em áreas como financeira, administrativa e operacional — justamente setores onde tarefas repetitivas e baseadas em dados são mais fáceis de automatizar.
O que a pesquisa encontrou
Apesar do receio, o levantamento mostra que a adoção da IA no dia a dia profissional já é uma realidade: 25% dos trabalhadores afirmam usar ferramentas de inteligência artificial na rotina de trabalho. E o interesse em aprender é ainda maior do que o medo — 87% dos entrevistados disseram ter vontade de se capacitar para trabalhar com essas ferramentas.
Os números também revelam uma divisão por gerações. Metade da Geração Z (nascidos entre 1997 e 2012) já recebeu algum tipo de treinamento em ferramentas de IA, enquanto entre os Baby Boomers (1946–1964) esse percentual cai para cerca de 20%. Entre os profissionais qualificados que já acessam ferramentas de IA no trabalho, a pesquisa aponta uma diferença de gênero relevante: 71% são homens e 29% são mulheres.

Nem só de ameaça vive a IA no trabalho
O relatório também traz uma leitura mais otimista no médio prazo. As projeções indicam que a inteligência artificial pode criar 7,1 milhões de novos empregos na próxima década, principalmente em áreas ligadas à inovação e à análise de dados. Ao mesmo tempo, a estimativa é de que cerca de 9% dos postos de trabalho atuais sejam automatizados até 2034 — um lembrete de que o movimento de substituição e criação de vagas deve acontecer em paralelo.
- 60% dos brasileiros temem perder o emprego para a IA
- 25% já usam ferramentas de IA no trabalho
- 87% querem aprender a usar essas ferramentas
- 7,1 milhões de novos empregos podem surgir na próxima década
- 9% dos empregos atuais podem ser automatizados até 2034

O que isso significa na prática
Para quem está no mercado de trabalho hoje, o recado da pesquisa é claro: o medo é compreensível, mas a melhor resposta a ele não é evitar a IA, e sim aprender a usá-la. Profissionais que dominam ferramentas de inteligência artificial tendem a ficar mais produtivos e mais difíceis de substituir — o oposto do que o receio inicial sugere. Empresas que investem em capacitação, especialmente para gerações mais distantes da tecnologia, também saem na frente nessa transição.
Autor: Adriano Dal Cortivo

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