Um novo levantamento global de segurança digital trouxe um retrato curioso sobre o brasileiro: sabemos criar senhas fortes, mas temos muito mais dificuldade para identificar golpes feitos com inteligência artificial. É o que mostra o National Privacy Test 2026, da NordVPN, questionário com 24 perguntas que reuniu 23.181 participantes em 167 países.
Brasil fica em 8º lugar no ranking mundial
No ranking geral de conhecimento em segurança digital, o Brasil ficou em 8º lugar entre os países avaliados, com 44 pontos em uma escala de 0 a 100. Singapura lidera o levantamento, com 52 pontos. A posição mostra que o brasileiro tem um conhecimento intermediário sobre segurança online — bom em alguns pontos, bastante frágil em outros.

Senha forte, sim. Golpe com IA, nem tanto
O dado mais chamativo da pesquisa é justamente esse contraste: 95% dos brasileiros sabem criar uma senha forte, um índice alto que mostra que a regra básica de segurança já está bem difundida. Mas quando o assunto é reconhecer golpes criados com inteligência artificial, o cenário se inverte — 36% dos brasileiros não conseguiram identificá-los, um percentual bem acima da média global, de 26%.
O problema se repete em outras frentes ligadas à IA. Apenas 46% dos brasileiros reconheceram sinais de áudio ou vídeo manipulado (os chamados deepfakes), abaixo da média mundial de 50%. E só 34% souberam indicar corretamente quais dados podem ser roubados por infostealers — programas maliciosos que capturam senhas e cookies salvos no navegador.
- 95% sabem criar uma senha forte
- 36% não conseguem identificar golpes feitos com IA (26% é a média mundial)
- 46% reconhecem deepfakes em áudio ou vídeo (50% é a média mundial)
- 34% sabem o que um infostealer pode roubar
- 58% dos brasileiros se encaixam no perfil “Cyber Tourists”: conhecimento básico, mas erros frequentes

Por que isso importa agora
Golpes com inteligência artificial estão cada vez mais sofisticados: vozes clonadas, vídeos falsos de pessoas conhecidas e mensagens escritas por IA que imitam o tom de bancos, empresas e até familiares. Saber criar uma senha forte continua sendo importante, mas já não é suficiente. A pesquisa reforça que o próximo passo da educação digital no Brasil precisa focar em ensinar as pessoas a questionar o que veem e ouvem, principalmente quando o pedido envolve dinheiro, urgência ou dados pessoais.
Autor: Adriano Dal Cortivo

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